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Rondônia: como municípios atraem investimentos

A política inédita que capacitou municípios para atrair empresas

 Em 2023, o Governo de Rondônia, por meio da Coordenadoria de Atração de Investimentos (Invest Rondônia), iniciou um programa com uma premissa simples: toda empresa que decide se instalar em um estado precisa, obrigatoriamente, de um CEP — e esse CEP fica no município. Se a prefeitura não estiver pronta para receber o investidor, o investimento vai embora.

Essa lógica também aparece em Minas Gerais: uma pesquisa conduzida pela Invest Minas sobre instalação de empresas indicou que 8 de cada 10 investimentos atraídos pelo estado eram perdidos no município.

Os dados mostram uma lição muito básica e que muitas vezes passa despercebida: os municípios são os verdadeiros protagonistas da atração de investimentos.

A política de atração de investimentos em Rondônia

Desde 2023 a Directpar atua em Rondônia com um propósito básico, mas estruturante: fazer essa conversa sobre atração de investimentos chegar nas prefeituras. Foi com a Invest Rondônia que a Directpar criou o primeiro Programa de Qualificação de Atração de Investimentos para municípios. Com vagas ilimitadas e modelo semipresencial, o programa trouxe um diferencial gigante: foi 100% custeado pelo Governo do Estado. Oferecer um conhecimento desse nível, de forma gratuita para todos os municípios, é algo inédito no Brasil. Rondônia foi pioneiro ao investir na base.

Ao longo desses anos, os municípios receberam duas atividades estratégicas:

1. Qualificação em grupo, com foco em melhoria do ambiente de negócios e no papel da prefeitura na atração de investimentos.

2. Mentorias individuais, com o objetivo de mapear oportunidades e inserir as prefeituras de forma ativa nessa agenda.

Um dos resultados mais importantes para a Invest Rondônia foi que o programa conseguiu tangibilizar oportunidades que os dados oficiais não alcançavam. Estatísticas de produtividade mostram, por exemplo,  a necessidade de industrializar a soja em Rondônia, mas o diagnóstico da Directpar foi muito além disso. Ao conversar com quem vive e empreende no município, o programa identificou lacunas de fornecedores e demandas reais que nenhuma planilha mostraria. Até o momento, mais de 55 oportunidades de investimentos foram mapeadas em Rondônia, distribuídas entre a agroindústria, o setor de manufatura e a área de serviços e logística.

Ao todo, 24 dos 52 municípios do estado foram 100% contemplados por essas duas atividades, totalizando mais de 120 agentes municipais qualificados e mais de 250 horas de trabalho. Os municípios participantes concentram 76% do PIB de Rondônia e 76% da população, o que prova uma cobertura significativa do programa.

O desafio do protagonismo municipal

A Directpar e a Invest Rondônia percorreram o estado para atender esses municípios presencialmente e em cada visita os agentes públicos locais foram provocados a se preparar como se estivessem recebendo um investidor. O que vimos foram prefeituras mobilizando empresários locais para apresentar seus produtos; mobilizando secretários de todas as áreas da administração pública para participar da conversa; preparando até presentes de boas vindas.  Em algumas cidades, o acolhimento e a organização foram tão impressionantes que a vontade era de ficar por lá.

Para além de todos os números, o grande resultado do programa foi esse: furar a bolha da prefeitura e fazê-la se sentir parte desse processo todo de atrair empresas. Esse foi o maior desafio e continua sendo em todo o Brasil. As prefeituras de Rondônia que participaram do programa mostraram uma maturidade gigantesca em se colocar na corrida da atração de investimentos.

Em alguns casos, municípios de 30 mil habitantes se mostraram mais preparados para melhorar seu ambiente de negócios do que municípios de mais de 100 mil. E sabe por que? Porque eles priorizaram o desenvolvimento econômico. Essas prefeituras entenderam que sem empresas e sem emprego o município estagnaria, assim como a própria arrecadação, fundamental para entregar melhores políticas públicas.

Essa foi a virada de chave: vencer o desafio de se achar pequeno demais para competir e entender que em uma competição como essa, eficiência e vontade de trabalhar vale mais do que tamanho.

Exemplos práticos de sucesso

Poderíamos falar dos 24 municípios participantes e apresentar pontos de sucesso em cada um deles, mas vamos trazer 4 que se destacaram em diversas frentes: seja na agilidade em emitir licenças; no engajamento e profissionalismo da prefeitura ou na maturidade do ambiente de negócios:

Ariquemes: Na capital do tambaqui, encontramos um ambiente de negócios que já operava em alto nível. A maturidade de Ariquemes se reflete na ‘trilha do investidor’: a liberação de licenças e alvarás de forma eficiente garante abertura de empresas com agilidade. Lá, o papel da Directpar foi estruturar novas oportunidades para um município que já caminha muito bem sozinho. Acompanhamos de perto uma negociação para o setor hoteleiro onde a prefeitura não foi um entrave, mas uma facilitadora em todo o processo. Além do setor de serviços, a cidade se consolidou com inúmeras oportunidades em toda a cadeia produtiva do peixe. Ariquemes é a terceira cidade mais populosa de Rondônia, com cerca de 100 mil habitantes.

Pimenta Bueno: Com pouco mais de 35 mil habitantes, Pimenta Bueno é a casa do Grupo Cairu, uma das maiores fábricas de bicicletas do país, e esse sucesso não é à toa. A prefeitura demonstra um grau de profissionalismo no desenvolvimento econômico que sobressai a muito do que a Directpar já viu. Vimos uma equipe técnica com alta capacidade de articulação com o setor produtivo e que garantiu 100% de aproveitamento em todas as etapas do programa. Além da força industrial, mapeamos oportunidades reais de investimento na cidade, com destaque para o alto valor agregado do turismo no Vale do Apertado.

Cacoal: Com mais de 86 mil habitantes, a Capital do Café mostrou que organização técnica é o melhor incentivo para atrair empresas. No diagnóstico realizado pela Directpar, que avaliou desde a qualidade das leis até a estrutura de atendimento ao investidor, Cacoal conquistou o primeiro lugar no ranking geral de maturidade entre os municípios participantes. Como resultado desse preparo, mapeamos oportunidades voltadas para a indústria, o turismo e o fortalecimento do setor hoteleiro.

Alto Paraíso: Com pouco mais de 10 mil habitantes e grande força na produção de soja, Alto Paraíso se destacou pelo alto engajamento dos agentes públicos. O município foi exemplo ao ir a campo prospectar de forma totalmente autônoma, provando que o caminho para o desenvolvimento é feito de iniciativa. A prefeitura seguiu um passo a passo simples (mas que, para muitos, parece difícil): enviou e-mails, fez ligações e buscou ativamente indústrias da cadeia da soja. Após enfrentar alguns “nãos”, o time conseguiu uma agenda presencial com uma grande esmagadora de soja de outro estado, levando a Invest Rondônia como parceira estratégica. Alto Paraíso seguiu o “caminho das pedras” exatamente como ensinado, mostrando que a prospecção ativa é para quem tem atitude.

A lição para outros estados brasileiros

Tudo que acontece em um estado, na prática, acontece lá no município. É importante repetir: o estado é abstrato, a realidade está nas cidades. Aparecer com uma empresa no município sem falar com a prefeitura é como chegar para jantar na casa de alguém sem avisar. O anfitrião pode até ter boa vontade, mas ele não preparou a mesa, não tem lugar para você sentar e a comida pode não ser suficiente. Para o investimento ser bem recebido, a casa precisa estar pronta.

No Brasil há várias instituições e agências que atuam com atração de empresas, e por que muitas delas ainda insistem em não envolver as prefeituras nesse processo? Achar que os servidores de um município não têm capacidade para fazer parte do trabalho é ignorar que a realidade do Brasil bate muito mais nas portas das prefeituras do que nas do governo do estado.

Rondônia deixa uma lição importante: o sucesso na atração de investimentos começa trazendo as prefeituras para perto. Afinal de contas, o estado pode até ser o mapa, mas o município é o chão. E ninguém constrói nada se não tiver onde pisar.

Se você é prefeito(a), secretário(a) ou atua na equipe de desenvolvimento econômico do seu município, a pergunta é direta: sua prefeitura está pronta para receber um investidor hoje?

Pequenas melhorias de processo e organização costumam gerar grande impacto na atração de empresas — e evitam que oportunidades se percam “na ponta”.

A Directpar pode apoiar seu município a:

:: diagnosticar gargalos no atendimento ao investidor e no ambiente de negócios;

:: estruturar uma “trilha do investidor” com responsabilidades claras e prazos;

:: mapear oportunidades locais e preparar a prospecção ativa de empresas.

Quer conversar? Envie uma mensagem para a equipe da Directpar e solicite um diagnóstico inicial do seu município.

Artigo escrito pela consultora Laura Viana. Acesse o perfil dela: Laura Viana | LinkedIn