O cooperativismo como estratégia de desenvolvimento local
O desenvolvimento econômico de um município não depende apenas da chegada de grandes empresas ou de investimentos externos. Ele está diretamente ligado à capacidade de gerar renda local, fortalecer cadeias produtivas regionais, ampliar o acesso ao crédito e manter os recursos circulando dentro da própria comunidade.
Nesse contexto, o cooperativismo se consolida como um dos modelos mais eficientes e sustentáveis de crescimento econômico. Diferentemente de estruturas empresariais tradicionais, as cooperativas surgem a partir de demandas reais da população local, têm governança democrática e reinvestem seus resultados no próprio território onde atuam.
A força do cooperativismo em Minas Gerais
Minas Gerais é um dos estados brasileiros onde o cooperativismo apresenta maior capilaridade e impacto econômico. Em 2024, o estado contava com mais de 760 cooperativas, reunindo 3,33 milhões de cooperados e gerando quase 60 mil empregos diretos. O volume de ativos do cooperativismo mineiro ultrapassou R$ 200 bilhões, enquanto os ingressos chegaram a R$ 94,3 bilhões, com crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
Esses números evidenciam que o cooperativismo não é apenas complementar à economia mineira, mas parte estrutural dela, com presença tanto em grandes centros quanto em municípios de pequeno e médio porte.
Cooperativas elevam o PIB e a geração de empregos nos municípios
Estudos conduzidos pelo Sistema OCB em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) mostram que municípios com presença de cooperativas apresentam, em média, PIB per capita 18,6% superior à média nacional. Além disso, essas cidades registram maior geração de empregos formais e crescimento no número de estabelecimentos comerciais.
Na prática, isso significa economias locais mais dinâmicas, com maior circulação de renda, fortalecimento do comércio e redução da dependência de transferências externas.
Cooxupé e o fortalecimento do Sul de Minas
Um dos casos mais emblemáticos do cooperativismo mineiro é a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), com sede no Sul de Minas. Reconhecida como a maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé reúne mais de 19 mil famílias cooperadas.
Em 2023, a cooperativa alcançou R$ 6,5 bilhões em receitas, gerou R$ 286,8 milhões em sobras e manteve mais de 2.500 empregos diretos. Além da comercialização, a Cooxupé oferece assistência técnica, acesso a crédito, tecnologia e inserção no mercado internacional, garantindo renda e previsibilidade econômica para dezenas de municípios da região.
O impacto é percebido no fortalecimento da economia local, na permanência do produtor no campo e na dinamização dos serviços urbanos.
Sicoob e a inclusão financeira no interior mineiro
No ramo do crédito, o Sicoob exerce papel estratégico no desenvolvimento econômico dos municípios mineiros. O sistema está presente em 559 municípios de Minas Gerais, muitos deles com acesso limitado a bancos tradicionais. Em 2025, o cooperativismo financeiro no estado movimentou R$ 157,8 bilhões, sendo o Sicoob responsável por mais da metade desse volume.
Essa atuação amplia o acesso ao crédito para pequenos empresários, produtores rurais e famílias, impulsionando o empreendedorismo local, fortalecendo o comércio e gerando empregos. Indicadores de desenvolvimento mostram que municípios com cooperativas financeiras apresentam melhores níveis de desenvolvimento econômico e social do que aqueles sem essa presença.
Sicredi e o fortalecimento das economias regionais
Outro exemplo relevante do cooperativismo financeiro em Minas Gerais é a atuação da Sicredi, que possui forte presença em municípios do interior do estado, especialmente em regiões com vocação agropecuária e alto número de pequenos e médios empreendedores.
Com a Sicredi nasceu o cooperativismo financeiro no Brasil, em 1902, em Nova Petrópolis (RS). A Sicredi Pioneira foi a primeira e segue em atividade até hoje.
Em seu Relatório Anual de 2025, o Sicredi revela números impressionantes:
:: 9,5 milhões de associados em todo Brasil
:: 50 mil colaboradores
:: R$ 455 bilhões em ativos totais
:: R$ 50 bilhões de patrimônio líquido
Estudos sobre o impacto das cooperativas de crédito mostram que municípios atendidos pela Sicredi registram maior geração de empregos formais, aumento do PIB per capita e redução de indicadores de pobreza. A atuação da cooperativa vai além do crédito tradicional, promovendo educação financeira, apoio ao empreendedorismo local e financiamento de atividades produtivas alinhadas à realidade regional.
Esse modelo contribui para criar economias locais mais resilientes, com maior autonomia financeira e menor dependência de grandes centros urbanos.
Cooperativismo transformando pequenos municípios
O impacto do cooperativismo também é decisivo em municípios de menor porte. Em Morada Nova de Minas, a organização dos produtores por meio da Cooperativa dos Piscicultores do Alto e Médio São Francisco (Coopeixe) transformou a economia local.
A cidade se tornou o principal polo de produção de tilápia de Minas Gerais, com geração de renda, formalização da atividade, fortalecimento da arrecadação municipal e criação de empregos. O cooperativismo permitiu que uma atividade antes informal se tornasse uma base econômica estruturada e sustentável para o município.
O efeito multiplicador do cooperativismo na economia local
Além dos exemplos práticos, o cooperativismo apresenta um forte efeito multiplicador econômico. Para cada R$ 1 movimentado pelas cooperativas, há um impacto médio de R$ 1,65 na produção da economia, além de aumento na arrecadação de impostos e na massa salarial.
Esse efeito ocorre porque as cooperativas:
:: Mantêm os recursos circulando no próprio município;
:: Reinvestem suas sobras na comunidade;
:: Estimulam o empreendedorismo local;
:: Promovem inclusão econômica e social.
Um modelo comprovado de desenvolvimento municipal
Os exemplos de Minas Gerais demonstram que o cooperativismo é um instrumento estratégico de desenvolvimento econômico municipal. Ele gera emprego, distribui renda, fortalece cadeias produtivas locais e cria economias mais resilientes e inclusivas.
Para municípios que buscam crescimento sustentável, o cooperativismo não é apenas uma alternativa — é uma vantagem competitiva comprovada, capaz de alinhar eficiência econômica, inclusão social e desenvolvimento de longo prazo.
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