Já sentiu como se sua cidade tivesse parado no tempo? Muitas cidades vivem períodos de estagnação, algumas mesmo depois de experimentarem ciclos de prosperidade. Outras parecem despertar e, como num passe de mágica, inauguram um novo momento, gerando empregos, oportunidades para os empreendedores locais e, principalmente, um sentimento positivo de que as coisas estão dando certo.
Isto não é ilusão ou mera sensação, é um fato. Um fato que muitas vezes não conseguimos explicar, mas percebemos claramente nos sinais do dia a dia: casas ficando vazias, jovens indo embora em busca de estudo ou emprego, comércios fechando as portas. A cidade “parece” triste.
De acordo com dados do IBGE, 4.384 municípios brasileiros estão abaixo do PIB per capita médio do Brasil, que é de R$ 53.886,67. Isso representa cerca de 79% das cidades do país. São municípios que, ao longo do tempo, não conseguiram gerar riqueza de forma consistente, ficando presos a ciclos curtos e frágeis de desenvolvimento.
Outro indicador importante da geração de riqueza local é a arrecadação. Os 100 municípios com maior arrecadação tributária concentram 77,6% de toda a arrecadação nacional, embora abriguem pouco mais de um terço da população brasileira (36,4%). Esses municípios arrecadaram mais de R$ 1,9 trilhão em um único ano, revelando uma concentração extrema de capacidade econômica.
Isso nos leva a uma pergunta central: por que algumas cidades prosperam e a maioria fica para trás?
O segredo da prosperidade dos municípios
Numa resposta direta: gestão e políticas públicas bem direcionadas.
Municípios que prosperam não dependem apenas de sorte, localização geográfica ou grandes empresas. Eles constroem, ao longo do tempo, políticas públicas focadas em desenvolvimento econômico, planejamento urbano, atração de investimentos e agregação de valor à sua vocação local.
Dois exemplos brasileiros deixam isso muito claro: Gramado (RS) e Balneário Camboriú (SC).
Gramado: desenvolvimento como projeto de longo prazo
Gramado é um caso clássico de cidade que transformou sua vocação em estratégia econômica. O turismo não surgiu ali por acaso. Ele foi construído com base em planejamento, governança e continuidade administrativa.
O município estruturou políticas públicas específicas para o turismo, integrando poder público, setor privado e entidades locais em um modelo de governança que planeja, organiza e promove a atividade de forma profissional. O resultado foi a criação de um ambiente econômico estável, capaz de gerar empregos, renda e oportunidades ao longo de décadas — e não apenas em períodos de alta temporada.
Além disso, Gramado utilizou instrumentos como o Plano Diretor e políticas urbanas para preservar sua identidade, garantir previsibilidade regulatória e criar segurança para investimentos privados. Mais recentemente, a cidade avançou ainda mais ao adotar um planejamento estratégico de longo prazo, com foco em inovação, economia criativa, bem-estar urbano e governança participativa, reforçando que o desenvolvimento não é um evento pontual, mas um processo contínuo.
Balneário Camboriú: planejamento urbano como motor econômico
Balneário Camboriú seguiu um caminho diferente, mas igualmente eficaz. A cidade construiu sua prosperidade a partir de políticas urbanas e econômicas integradas, utilizando o planejamento territorial como ferramenta de geração de valor.
O município estruturou seu crescimento por meio do Plano Diretor, que define de forma clara onde e como a cidade pode se desenvolver, conciliando turismo, mercado imobiliário, infraestrutura, mobilidade e sustentabilidade. Isso criou um ambiente favorável à atração de investimentos de alto valor agregado, ao mesmo tempo em que protegeu seus principais ativos urbanos e ambientais.
Além do planejamento urbano, Balneário Camboriú adotou instrumentos modernos de gestão pública, como o Plano Plurianual (PPA), que conecta planejamento de longo prazo com execução orçamentária, garantindo maior eficiência, previsibilidade e foco nas áreas estratégicas — entre elas o desenvolvimento econômico e o turismo.
O resultado é uma cidade que consegue crescer, gerar riqueza e manter alta arrecadação, sem depender exclusivamente de ciclos econômicos externos.
O que esses exemplos ensinam?
Gramado e Balneário Camboriú deixam uma lição clara: cidades não prosperam por acaso. Elas prosperam quando:
1- Existe visão de longo prazo;
2- As políticas públicas são pensadas como instrumentos de desenvolvimento econômico;
3- O ambiente regulatório dá segurança ao investimento privado;
4- A vocação local é transformada em estratégia;
5- Há continuidade e profissionalismo na gestão pública.
Enquanto a maioria dos municípios brasileiros permanece “parada no tempo”, presos à falta de planejamento e à ausência de políticas estruturantes, esses exemplos mostram que é possível escrever uma história diferente.
Desenvolvimento econômico não é um sonho distante. É uma escolha — e começa, invariavelmente, pela qualidade das políticas públicas adotadas hoje.
Desenvolvimento econômico se constrói com visão, planejamento e boas decisões.
Quando políticas públicas e investimento caminham juntos, cidades deixam de apenas existir e passam a prosperar. É assim que se constrói valor público, atrai capital e cria um futuro sustentável.
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